A vida sem salto alto é possível?

Depois de uns dias off por motivos de férias do marido, folga minha e problemas tecnológicos (a.k.a. computador fail), de volta à programação normal para discutirmos algo muito crucial na vida de muitas mulheres: é possível uma vida completa sem os amados sapatos de salto alto? A seguir, um verdadeiro relato de quase dois anos sem eles…

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Desde muito cedo sempre tive problemas no joelho, inicialmente, pela sobrecarga de exercícios repetitivos na ginástica olímpica, mas fisioterapia pós-crises e musculatura sempre fortalecida mantiveram as dores e problemas afastados por muito anos. Entretanto, logo depois que cheguei em São Paulo e passei a andar muito mais de carro ou metrô (em Natal eu era uma verdadeira andarilha) e passei um tempo sem atividade física regular, as dores voltaram de forma insuportável, principalmente porque perdi peso e, consequentemente, massa muscular… Tudo causado, explico, por um problema congênito, que cirurgias não resolvem e impossibilitaram o uso de saltos totalmente. A princípio meu ortopedista, um dos melhores que poderia ter encontrado no país, alertou que talvez nunca mais voltasse para os meus amados, mas dependeria muito mais de mim e minha dedicação no longo tratamento.

Antes da grande crise em 2013, logo após um mês do meu casamento (consegui usar salto nas duas cerimônias!), já vinha sentindo leves dores, mas nada demais, tanto que na lua de mel comprei muitos saltos, alguns ainda com etiquetas. Entretanto, quando chegou ao ponto que não conseguia sair de casa, não aguentava nem sequer experimentá-los e a perspectiva de nunca mais conseguir andar com eles, veio a grande crise emocional: como ser uma mulher sem salto, ir à festas de casamentos, eventos, reuniões importantes, tudo de rasteiras e sapatilhas? Como me sentir feminina? Uma coisa é não querer usar, outra é não ser uma opção!

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Muitas pessoas podem até achar efêmero, superficial e supérfulo ter uma crise imagética e emocional por isso. Mas todos sabemos o fetiche e a paixão feminina por sapatos, quiçá os saltos, que trazem uma elegância, sensualidade e feminilidade sem precedentes!

audrey-3Naturalmente, no dia a dia, sempre usei muitas sapatilhas, mas nunca abri mão de bons saltos. Mesmo quando ficava muito mais alta que minhas amigas. Não imaginava uma vida sem meus scarpins e sandálias altas. Quantas vezes fui para uma festa ou trabalho de sapatilha e na hora de entrar as troqueis por saltos imponentes… Mas, infelizmente, era a minha nova realidade e precisava me acostumar e adaptar. Não me desfiz dos meus “filhos”, os mantive ali no meu quarto, pois eram uma inspiração para me manter persistente no tratamento. Busquei alternativas, aliás belas alternativas. Minhas musas inspiradoras sempre foram adeptas de sapatilhas, Audrey Hepburn casou as calçando e tudo! Inspirei-me ainda mais!

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Confesso, vieram os dias que não queria sair porque achava que não estava bem; que tentei calçá-los e chorei, pois não aguentava mais dor, remédios e fisioterapia; que fui à lojas atrás de rasteiras e sapatilhas divinas e voltei frustrada; que muitas calças e vestidos ficaram guardados porque eram muito longos; que, assim que conseguia, subia neles por instantes para fazer fotos e sentir o gostinho das alturas.

Depois de um ano de tratamento, consegui usar eventualmente alguns, quase chorei de emoção na primeira baladinha com salto, e aceitei que outros nunca mais conseguirei, principalmente, porque minha perna está muito mais curvada. Algumas atividades, mesmo depois de quase 2 anos, ainda não foram liberadas, inclusive porque dependo também do cardiologista, mas as perninhas já estão mais resistentes. Hoje, sei quais saltos consigo usar e é atrás deles que vou quando chego nas lojas. Não me perco mais! Antigamente, conseguia usar sapatos de todos os preços, materiais e modelos, agora, gasto um pouco mais, pois preciso de sapatos de qualidade, que me dêem estabilidade e confiança. Ou seja, agora compro poucos, mas que sei que usarei por muitos anos, até porque não consigo usá-los sempre. Verdadeiros investimentos!

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Uma coisa vos digo, aprendi que persistência e paciência foram minhas aliadas nessa briga, que me acompanhará por anos. Mas é possível uma vida sem saltos, porque a indústria entendeu que nem todas mulheres amam saltos (até Louboutin se rendeu), mas querem estar bem e super femininas com os pés rentes ao chão. Fui à festas, casamento, eventos e baladas sem salto e aprendi que a minha feminilidade e estilo vão além de um salto, tanto que muitas vezes, mesmo já conseguindo estar nas alturas, preferi manter meus pés no chão. O meu lado Carrie Bradshaw aprendeu a amar todos os sapatos igualmente e cada um tem o seu espaço na minha vida e coração. Além de ter levado para todos outros setores da minha vida mais esse aprendizado.

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E vocês? Já tiveram que abrir mão de algo que amassem muito no estilo de vocês?

Inspirem-se:

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Beijinhos,

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3 comentários sobre “A vida sem salto alto é possível?

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